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Cursos livres

 

Em 2002 surgiu no Rio de Janeiro uma enxurrada de "Cursos Livres" ministrados em diversas faculdades, eles tinham a proposta de serem gratuitos, no entanto o "aluno" pagava um "taxa de certificado", realmente um valor irrisório ( algo que variava entre R$ 15,00 e R$ 35,00 ). Nos anúncios não eram mencionados o conteúdo programático nem a carga horária.

A proposta era interessante, cultura em uma instituição de ensino superior sem que o aluno precisasse pagar.
Minha primeira analise foi favorável, imaginei se tratar de um curso sério que seu custo seria deduzido de impostos para beneficiar pessoas carentes.

Acho que junto comigo centenas de cariocas tiveram a mesma impressão, pois esses cursos foram um sucesso e a cada dia mais universidades os anunciavam nos melhores jornais da cidade. Decidi então participar de Quatro, a titulo de curiosidade. Escolhi: IRLA ( Instalação e Reparo de Linhas de Assinantes – Padrão Telemar ), Noções Básicas de Instalações elétricas, Introdução ao Lighting Designer e Instalações Elétricas Padrão Light. Todos em universidades conhecidas e algumas até respeitadas.

No primeiro ( IRLA ) todo o curso foi ministrado em 06 horas, realmente não houve tempo sequer para que o aluno criasse duvidas, os tópicos foram trabalhados de forma muito superficial. O material didático ( uma apostila paga à parte ) até que foi razoável, continha as informações básicas. O único que conclui.

No de Noções Básicas de Instalações Elétricas o "instrutor" ( não posso classificá-lo como professor ) afirmou de forma veemente que um circuito elétrico de tomadas de uso geral ( na época a 5410/97 separava TUE e TUG ) não poderia ser dimensionado com mais de 10 A. Um verdadeiro absurdo, e não aceitou os argumentos de que fizera confusão na interpretação da norma na parte onde indica que aparelhos com corrente nominal superior a 10 A. precisam ter um circuito independente ( TUE ). Só freqüentei duas das quatro aulas de 02 horas cada, realmente não estava disposto a perder meu tempo com esse tipo de "aula".

O de Introdução ao Lighting Designer talvez tenha sido o que me inspirou a escrever este artigo, como nos demais, com mais de um dia de duração, o primeiro foi apresentação, no segundo o "instrutor" ( que também era coordenador e professor nos cursos de graduação e pós-graduação de lighting designer na mesma universidade ) mostrou-nos uma lâmpada que emitia luz por indução magnética e tinha uma visa útil próxima a dos led's, fantástico esse produto, até que um colega ( aluno ) pergunto-lhe o que era indução magnética, nesse momento a figura do "professor" veio abaixo, ele não sabia a resposta, e apontou-me ( por saber que sou técnico em eletrotécnica ) para responder a pergunta. Ë claro que não respondi, pois estava ali na condição de educando não de educador. Também não terminei o curso, posteriormente investiguei e descobrir que o instrutor era aluno de arquitetura, ou seja, não era um profissional e não poderia estar ministrando uma disciplina técnica.

No curso de Instalações Elétricas Padrão Light "caiu a gota d'água na minha taça" e tornei-me absolutamente contra esses cursos, a instrutora uma mera ex-aluna do terceiro período de engenharia

elétrica queria calcular a demanda de um grupo de motores ( supostamente baseando-se no RECON – Padrão Light ) sem considerar suas potências. Um erro grosseiro e infantil tanto na interpretação do Recon que exige sim a consideração das potências dos motores ( como não poderia deixar de ser ) quanto dos princípios básicos da eletricidade, pois qual quer profissional sabe que para calcular a demanda de equipamentos e indispensável considerar suas potências. Nesse não me contive e ao tentar ensinar a "instrutora" fui expulso do curso.

Como lição tirei que esses cursos colocam no mercado pessoas totalmente despreparadas que levam debaixo do braço um certificado comprado, com o nome de uma instituição de ensino teoricamente respeitada, Certificado esse que pessoas leigas podem entender como qualificador do citado profissional, quando na verdade esse dito profissional não tem as noções elementares de eletricidade para prestar quaisquer serviços à clientes, podendo causar-lhes prejuízos incalculáveis.

A ineficácia desses cursos pode ser endossada pelo encerramento da maioria deles, hoje só vemos anúncios em jornais de uma universidade oferecendo esse tipo de curso.

A educação no pais esta sendo banalizada, com essa situação só quem perde são os clientes e os bons profissionais que vêem a cada dia seus serviços perderem o valor em função de uma comparação com os serviços prestados por pessoas despreparadas e incapacitadas.

Fabrício Mendonça
Eletrotécnico
CREA-RJ 154531

Desde 2006

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